REMA - Rede de Mulheres Amefricanas


Simbologia e Princípios

REMA não é apenas uma sigla, mas um significante político e cosmoperceptivo.

  • Rema remete à ideia de resto fértil, aquilo que sobreviveu à violência colonial e que, longe de ser resíduo, tornou-se semente de futuro.

  • Evoca também ramo, raiz, trama, rede, reforçando a noção de entrelaçamento, continuidade e sustentação coletiva.

  • No campo amefricano, REMA simboliza o que não pôde ser destruído: corpos, saberes, espiritualidades e economias da vida.

Seu nome e sua simbologia inspiram-se na filosofia Adinkra, afirmando a ancestralidade como fundamento do presente e do futuro.

A REMA orienta-se pelo princípio do Sankofa, "Retornar para buscar o que foi esquecido.",  compreendendo a memória não como passado imobilizado, mas como retorno crítico às trajetórias silenciadas para a construção de futuros possíveis. No centro da rede pulsa o Akoma, "Paciência, resistência emocional, sabedoria do sentir." símbolo da matripotência, do cuidado comunitário e da ética do bem viver, reconhecendo o coração, o corpo e a espiritualidade como formas legítimas de racionalidade social. As linhas em movimento que compõem sua identidade remetem ao Nkyinkyim, "Mudança, versatilidade, capacidade de reinvenção", expressão da capacidade histórica de adaptação, reinvenção e criação de tecnologias de vida pelas mulheres amefricanas.

Assim, a REMA afirma-se como uma rede viva, não hierárquica e em permanente transformação, comprometida com a soberania epistêmica, a justiça social e a valorização das economias da vida. Sua simbologia expressa o compromisso com o aquilombamento como prática histórica de organização coletiva e com a construção de narrativas, políticas e futuros amefricanocentrados.

Sobre a REMA – 

Rede de Mulheres Amefricanas

A REMA – Rede de Mulheres Amefricanas é uma rede transnacional de articulação, produção de conhecimento e ação coletiva, fundada na experiência histórica, cultural e política das mulheres negras e indígenas das Américas e do Caribe.  

Nasce do amadurecimento teórico, metodológico e político de uma trajetória coletiva iniciada como Rede Latino-Americana e Caribenha sobre Feminismos de Terreiros (RELFET). A mudança de nome não representa uma ruptura, mas a expansão do horizonte conceitual e estratégico da rede, preservando e aprofundando o acúmulo intelectual, militante e institucional construído ao longo dos anos.

A experiência da RELFET demonstrou que os feminismos de terreiros constituem um eixo fundamental de reflexão e ação. No entanto, também evidenciou que a atuação histórica das mulheres negras e indígenas nas Américas e no Caribe ultrapassa o campo religioso, estendendo-se de forma indissociável aos domínios econômico, político, cultural, territorial e epistêmico. Para nomear essa complexidade, a REMA adota a categoria Amefricanidade, formulada por Lélia Gonzalez, que reconhece a originalidade das experiências construídas neste território, marcado pelo entrelaçamento entre diásporas africanas e povos originários.

Assumir a Amefricanidade é afirmar que as mulheres negras e indígenas não são apenas guardiãs do sagrado, mas protagonistas da formação social, criadoras de economias da vida e de tecnologias coletivas de sobrevivência, cuidado e futuro. Nesse sentido, a REMA se constitui como um espaço transnacional de produção de conhecimento, articulação política e inovação metodológica, orientado por uma perspectiva contracolonial e amefricanocentrada.


Grupos de pesquisa

A REMA constitui-se como um espaço político-acadêmico de articulação, cooperação e fortalecimento de grupos de pesquisa, núcleos de estudos, coletivos territoriais, comunidades tradicionais e cátedras comprometidas com a produção de conhecimentos amefricanos, afrodiaspóricos e decoloniais.

A REMA mobiliza pesquisadoras, educadoras, intelectuais negras, mulheres de quilombos, coletivos culturais e lideranças comunitárias que atuam em universidades federais, estaduais, institutos federais, redes públicas de ensino e territórios tradicionais, conectando ensino, pesquisa, extensão e saberes comunitários.

Essa articulação em rede permite:

  • o intercâmbio epistemológico entre história, educação, literatura, oralitura, linguagem, gênero, raça, etnicidade e políticas públicas;

  • a consolidação de grupos de pesquisa e núcleos interinstitucionais, fortalecendo agendas comuns de investigação;

  • o estímulo à criação e ao fortalecimento de cátedras, observatórios, programas de formação e ações extensionistas voltadas às mulheres negras, amefricanas e afrodiaspóricas;

  • a valorização de saberes territoriais, especialmente aqueles produzidos em quilombos, comunidades tradicionais e coletivos culturais.

A REMA compreende o conhecimento como trançado coletivo, tecido na confluência entre universidade, escola, território e ancestralidade. Sua atuação reafirma o compromisso com uma ciência comprometida com a justiça racial, a equidade de gênero, a memória, a oralidade e a transformação social, reconhecendo as mulheres amefricanas como sujeitas produtoras de teoria, método e política.

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